Devaneios

Pressinto os teus passos por aqui. Descendo melancolicamente esta rua. Pessoas como páginas soltas de livros desaparecidos. Nuvens como cabelos encaracolados numa vertigem de silêncios arrebatadores; a chuva a queimar os pensamentos dos homens submersos. Espaços por preencher - destinos a colidir. Pessoa a descer, aqui, sentado a olhar-me. Eu reflexo de tantos outros, dele um mesmo em mim. As árvores a definharem, as palavras lentíssimas, estrelas submersas de um reino repleto de miragens improváveis do futuro. Al Berto sussurra-me esquecimentos de voz, paixões incendiadas no vácuo dos dias, visões de deserto.... mares sem fim. Olha: uma gaivota, e a realidade acordou-me... Pim.